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5 de jan de 2011

Presos de penitenciária na cidade de Ipaba concluem ensinos fundamental e médio


IPABA (05/01/11) - O detento Wilken Pereira Arruda, que cumpre pena há quatro anos na Penitenciária Dênio Moreira de Carvalho, em Ipaba, no Leste do Estado, conta que viveu o dia mais emocionante de sua vida em 20 de dezembro do ano passado. Ele é um dos 23 internos da unidade prisional que concluíram, naquela data, o curso de ensino fundamental ou médio. “Enquanto eu permanecer no sistema carcerário, vou continuar os estudos, aproveitar a oportunidade. O crime eu quero deixar pra trás”, afirma.
Os presos formandos frequentaram a escola que funciona dentro da penitenciária desde 1999, a mais antiga do sistema prisional e que tem hoje 150 alunos matriculados. O detento Clodoaldo de Oliveira acaba de concluir o ensino médio e destaca que no dia em que chegou à penitenciária foi prontamente levado à escola, para se matricular. “Agora fazer a faculdade é o meu pensamento, meu sonho. Gostaria muito de fazer advocacia”, revela.
Para a diretora de Ensino e Profissionalização da Subsecretaria de Administração Prisional (Suapi), da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), e madrinha dos formandos, Sandra Regina Madureira, o mais gratificante é oferecer oportunidades reais a quem quer mudar de vida. “Se não fossem os portões, a unidade seria facilmente confundida com uma escola comum. Estou muito emocionada, sobretudo porque acredito no ser humano”, declarou em seu discurso em homenagem aos recém-formados.

Exemplo
A cerimônia de formatura aconteceu no auditório da própria Penitenciária Dênio Moreira de Carvalho e, além de funcionários da Suapi, estiveram presentes representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário locais, além de diversos parceiros e familiares dos detentos. Para o diretor da unidade, tenente Adão dos Anjos, o apoio da comunidade tem sido essencial aos avanços obtidos no local. “A gente recebe um grande apoio por parte de toda a sociedade do Vale do Aço. Se não fosse isso, nossa experiência não seria tão bem sucedida”, afirma. 
A escola da Penitenciária de Ipaba é piloto no sistema prisional. De acordo com o diretor, a unidade prisional foi a primeira do país a ter parceria com instituições de ensino superior e realiza uma média de 5 a 6 cursos profissionalizantes por ano. Tem ainda 23 oficinas que empregam cerca de 200 detentos em atividades que variam desde a fabricação de queijos até peças automobilísticas para grandes montadoras.
Pelo trabalho ou estudo durante a privação de liberdade os presos recebem remissão de pena, ou seja, a cada três dias trabalhados ou 18 horas de estudo, a sentença é reduzida em um dia. Wilken Arruda concluiu o curso de mecânica na unidade e trabalha, atualmente, como torneiro mecânico. Para ele, a oportunidade de trabalhar e estudar renovou as esperanças de reconstruir sua vida.

Superação
O trabalho religioso, feito em parceria com cinco igrejas evangélicas e com a pastoral carcerária, o tratamento humanizado dos presos, a atenção dispensada às suas famílias e o acompanhamento jurídico são outras qualidades daquela penitenciária, destacadas pelo detento "Adão dos Anjos", outro formando.
A penitenciária foi considerada moderna, nova e segura no relatório da CPI do Sistema Penitenciário realizada em 2008 e há 10 anos não registra fuga por transposição de barreira. De acordo com estudo feito pela Universidade Presidente Antônio Carlos (Unipac), cerca de 60% das pessoas que passam pela unidade não retornam ao crime.
O tenente Adão conta que é diretor da Penitenciária de Ipaba desde 2001 e destaca que a unidade é exemplo de superação, na medida em que em 2000 havia sido classificada como a pior do Brasil. “Quando assumi, me comprometi a acabar com as rebeliões, implantar educação, ressocialização e a fazer cumprir a Lei de Execução Penal”, relembra.
No segundo Festival de Música do Sistema Penitenciário (Festipen), detentos de Ipaba ficaram com o primeiro, segundo e oitavo lugares. O preso Geasis da Silva conta que é compositor, cantor gospel e que já gravou três CDs que, juntos, venderam mais de três mil cópias. “Somos a prova de que o sistema prisional não está falido”, conclui o diretor.

Voz do Povo

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